sábado, 29 de janeiro de 2011

A briga dos escritores

Lendo uma crônica do Mário Prata (todos sabem que gosto muito das crônicas dele) concordei com uma de suas afirmações " nunca escreveram e leram tanto no mundo todo, como nos dias de hoje". É verdade!!!
Há algum tempo observo no metrô e no ônibus, que as pessoas cada vez mais, estão levando livros, jornais e revistas nas suas bolsas, mochilas e sacolas e aproveitando esse tempo de ir e vir, que geralmente não fazemos nada, apenas olhamos uns aos outros (sim, durante as minhas observações não tinha nada para fazer) para se atualizarem e tirarem as teias de aranha do seu universo culto.
A mesma coisa acontece referente a escrever. Grande parte da população tem acesso à internet, logo, além de estarem lendo muito (por menor que seja o texto), estão escrevendo muito, porque não é à toa, que o Orkut e Msn são os mais acessados do mundo inteiro. E o que fazem as pessoas nesses meios??? Leem e escrevem, por mais que besteiras, elas estão lendo e escrevendo e não cabe a mim e a ninguém julgar a qualidade das conversas e páginas acessadas na internet.
Deixo para comentar sobre a "linguagem internetês" que certas pessoas aderem. Acho ridícula e totalmente preocupante. Será que futuramente leremos livros com essa linguagem tão estranha e que por mais que no seu próprio nome já tenha exposto o único meio de onde vem e que não deveria sair (internet) saia do virtual e invada a nossa vida real? Não estranho se daqui algum tempo, ao invés das pessoas rirem o tão antigo rárárá, elas começarem a rir, hehehe, hihihi, etc...Influências da internet oras, coisa da modernidade, como diriam os mais antigos.
Lendo e escrevendo muito, consequentemente as pessoas deveriam "acreditar" mais nos seus textos, não?! Pois respondo que isso não está acontecendo(ainda), dando ainda, muita autoconfiança para os elogiados e paparicados escritores, que vivem ouvindo por aí de gente que gosta de ler e escrever (as vezes nem um, nem outro) mas acha que não escreve bem e tal, e solta um:"você escreve tão bem". Pronto, já é o bastante para quem escreve "se achar".
Como perceber se um escritor se acha? Geralmente ele conta mil segredos que o fazem "escrever bem", chama quem lê seus textos de "meus leitores", por menor número que eles representem e adora criticar o trabalho dos outros escritores.
Acho que escritor é quem escreve e posso afirmar que hoje, há mais quem escreva que se considere um bom escritor, com seu ego gigante, que propriamente alguém que escreva e preocupa-se com o entretenimento e cultura de todos.
Não existe bom escritor e bom livro. Acho feio quem tenta definir isso. Parece que sempre queremos nos aproximar da perfeição, por mais que saibamos que ela não existe e por isso afirmo que há leitores para todos os textos. O bom e ruim varia de pessoa para pessoa, de leitor para leitor, não adianta colocar em letras gigantes que tal livro é um "BEST SELLER", sendo que mais que 70% dos que leem não curtem. Sim, ele é um BEST SELLER para o público seleto dele de 30%.Pronto e ponto final.
Afirmar tudo isso para mim é tão difícil quanto afirmar que não curto os textos do Machado de Assis. Falar desse "Machado" é muito perigoso e deve-se evitar. Depois de sua morte ele virou um "Deus da literatura" e ninguém atreve-se a mexer com Deus numa sociedade religiosa não é mesmo??!


Felipe Lucchesi

domingo, 2 de janeiro de 2011

2010-Reflexão e aprendizado

A expectativa pura e até de certa maneira inocente que cria-se com a chegada de um novo ano toma conta de grande parte das pessoas. O novo é tido como um grande mistério e cada um, lida com esse mistério da maneira que melhor lhe convém. Há quem faça simpatia, anote tudo na nova agenda, use determinada roupa de tal cor considerando que trará sorte, entre outras ideias que vem ano e sai ano, surgem por aí.
O ano de 2010 para mim foi um ano e tanto. Reflexão e superação foram as minhas duas fontes para aprendizado pessoal, espiritual e profissional. Foi um dos anos que mais aprendi, que mais evolui como pessoa. Passei por péssimos momentos, consegui superá-los e conheci pessoas que me fizeram muito bem e que me ensinaram que ainda vale a pena acreditar na espécie humana. Por mais que hajam aqueles que pensem apenas em si, há aqueles que pensam no próximo e no imenso mundo que há em volta de todos nós. Exatamente por essas pessoas que faço questão de viver e de aprender(e ensinar é claro) em cada dia da minha vida.
Um novo ano se inicia e todos, juntamente com suas roupas novas e coloridas(não muito coloridas já que muitos aderem ao tradicional "branco") vestem suas máscaras e apagam a memória nas tradicionais festas de Ano Novo. Sempre fui vítima disso tudo, porque afinal, sou um ser humano, que por mais que tente ser melhor a cada dia, como tantos outros, ainda é muito influenciado de maneira direta ou não, por várias situações que o Homem inventou.
Meu Ano Novo foi um tanto diferente comparado aos 20 e tantos outros que já passei. Pude sentir dessa vez a grande alegria e peso que um novo ano traz consigo. A pura sensação de despedida de 365 dias vividos e diversas despedidas de pessoas e momentos, que para mim, serão inesquecíveis. Dessa vez não apaguei nessa data especial, os momentos ruins que passei, gritei durante a contagem regressiva e tudo ficou no famoso "passado", nas páginas da minha agenda que ficarão amareladas com o tempo ou mesmo, no calendário que jogarei fora no primeiro dia do novo ano.
Pensei, lembrei e chorei.
Juntamente com meu choro, momentos bons foram eternizados e pessoas boas imortalizadas.
A velocidade de 2010 foi intensa e precisava mesmo de um momento para meu "repouso espiritual", já que no nosso dia a dia, precisamos parecer que estamos numa festa à todo momento: temos que ser felizes, bem amados, termos dinheiro, termos amigos e enfim...temos que ser bons em tudo, o que de fato, nos distancia da realidade que vivemos porque afinal, ninguém é bom em tudo, por maior inteligência e dinheiro que possa existir.
O ano de 2011 surge para mim de uma maneira(talvez pela primeira vez que perceba) mais madura e distante, bem distante, da opinião que exista de fato a contagem do tempo. O Homem inventou o tempo e datas como essa, foram inventadas, para todos pararem por um momento e perceberem que o mundo pode ser melhor durante algum tempo, por menor que ele possa durar...talvez 10 segundos apenas.

Felipe Lucchesi