terça-feira, 5 de outubro de 2010

O Dia D

Se você ainda não teve o seu “Dia D”, com certeza o terá mais cedo ou mais tarde. Não há remédio, simpatia ou água benta que possa salvá-lo contra esse mal.
O Dia D nada mais é que aquele em que você jura de pés juntos logo ao acordar, que terá um ótimo dia pela frente, no entanto, no decorrer das primeiras horas, descobre que realmente terá um dia e tanto e esse tanto no caso quer dizer “problemas”.
Fui vítima e personagem disso tudo. Nessas horas que agradecemos pelo fato de haver apenas 24 horas, nem mais e nem menos (por mais que contemos os minutos e até segundos).
Tudo começou depois do primeiro sorriso do dia. Olhei para o relógio e vi que eu estava adiantado. Como um fato desses ocorre com a mesma freqüência que uma Copa do Mundo, resolvi aproveitar o momento e fazer algumas atividades que quase nunca tenho tempo para fazer: ouvir música foi a primeira delas.
Ao descer as escadas, em direção à sala, olhei para o relógio do corredor e nele marcava uma hora completamente diferente da qual o meu apontava: de acordo com o infeliz relógio de parede, eu estava atrasado cerca de uma hora. A música ficou para depois (sabe lá Deus quando) e fui correndo tomar banho para ir ao trabalho.
Boa parte do meu bom humor já foi embora nesse pequeno imprevisto, porque detesto me atrasar, mas ainda considerava que estava à caminho de ter um excelente dia.
Por ironia do destino e “sacanagem” dele, o ônibus é claro que não chegaria na hora certa, por mais que o pegue há anos no mesmo ponto e sempre na mesma hora. Fiquei esperando-o e ao chegar ao ponto minha pequena carroça com bois (um ônibus atolado de gente), reparei que não tinha sido apenas eu que havia sido contemplado com aquele dia. Outras pessoas estavam naquela situação e muitas delas, atrasadas também. Isso me confortou um pouco naquele instante.
Todas olhavam aflitas para o relógio, mas resolvi não ser curioso o suficiente para olhar para o meu, não somente pelo fato dele estar com a hora errada, porque com alguns cálculos conseguiria obter a hora correta, mas principalmente pelas caras que as outras personagens do “Dia D” faziam ao olharem para ver a hora. Realmente são poucos os seres humanos que conseguem esconder suas emoções. A cara de todas elas, era de puro pânico.
A conseqüência veio logo depois, quando cheguei atrasado no trabalho, ouvi coisas chatas de pessoas chatas e terminei o dia à espera do ônibus que chegou na hora certa mas quebrou no caminho, afinal, não tinha dado meia noite ainda.

Felipe Lucchesi